X-Men First Class

Onze anos, três filmes e mais de US$ 1 bilhão acumulado em bilheterias mundiais desde sua estreia no cinema em 2000, o grupo de mutantes dos quadrinhos X-Men se prepara para recomeçar do zero com um novo filme, que estreia na próxima sexta-feira (3).

Em vez de seguir adiante com os mesmos atores e linha narrativa, “X-Men: primeira classe” renova o elenco, volta no tempo e encontra os mutantes nos anos 60, antes da criação da escola do Professor Xavier.

Agora interpretado por James McAvoy, Charles Xavier é um jovem recém-formado que se dedica a procurar e estudar a existência de humanos com superpoderes como ele. O personagem ainda não tem a careca ou a cadeira de rodas que se tornaram suas marcas registradas nas quase cinco décadas das HQs e nos longa anteriores.

Na outra ponta, está Erik Lensherr (Michael Fassbender), sobrevivente de um campo de concentração na Polônia obcecado por vingar a morte de sua mãe, executada diante de seus olhos por um carrasco nazista chamado Sebastian Shaw (Kevin Bacon), que, por sua vez, também está reunindo seu grupo de mutantes.

A trama principal de “Primeira classe” gira em torno do encontro entre eles e da aliança de conveniência firmada para combater os avanços de Shaw.

Apesar das afinidades entre Xavier e Lensherr – ele também um mutante, capaz de controlar objetos de metais com o pensamento -, a dupla tem uma discordância fundamental: o primeiro luta para ser aceito e mostrar que os mutantes precisam se aliar aos humanos, já o segundo, que se tornaria Magneto, não acredita na convivência pacífica entre as espécies e prega que a melhor defesa é o ataque.

Essas duas visões opostas de mundo estão na origem da criação dos X-Men e da Irmandade dos Mutantes e na base dos conflitos que sempre acompanharam as histórias em quadrinhos desses heróis e vilões criados por Stan Lee e Jack Kirby na década de 60.

Na essência, portanto, o longa-metragem dirigido por Matthew Vaughn mantém-se fiel aos princípios dos personagens. Já na forma…

Incensado por dar uma cara realista aos filmes de super-heróis com a adaptação de “Kick-ass”, Vaughn já declarou que preferiu colocar de lado as HQs dos X-Men para trabalhar em sua própria história (com carta branca de Bryan Singer, diretor dos dois primeiros filmes da franquia e produtor e corroteirista deste).

Com “Primeira classe”, ele reescreve episódios significativos das origens dos personagens, altera cronologias e alianças e insere eventos e ambiguidades que não necessariamente estavam lá nas primeiras histórias. Em entrevistas, o diretor chegou a afirmar que tentou emprestar apenas o “clima” das HQs originais – movidas pela constante tensão militar entre EUA e URSS – e criar uma espécie de filme de James Bond com os mutantes da Marvel.

O pano de fundo histórico da Crise dos Mísseis de Cuba e o figurino de bond-girl da vilã Emma Frost ajudam, sem dúvida, nessa tarefa. Mas daí a considerar “Primeira classe” uma grande ousadia por essas mudanças talvez seja um exagero.

Não é de hoje que os autores de HQs flertam com episódios históricos, em especial os da Guerra Fria, para dar mais força às histórias. A suposta injeção de realismo também parece mais convincente nos longas de Singer, que usavam o drama dos mutantes para lider com temas ainda mais atuais como genética, bioética e terrorismo.

Ao optar por reinventar um “novelão” que já dura há tanto tempo e abandonar um elenco bem sucedido em favor de novos nomes, Vaughn faz a mesma aposta arriscada que as próprias editoras de quadrinhos promovem de tempos em tempos – matando e ressuscitando heróis, casando e descasando personagens, agradando novos e desagradando velhos leitores.

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