Nintendo 3DS

Pouco mais de um ano após pegar o mundo dos jogos eletrônicos de surpresa com um anúncio sem pompa alguma, a Nintendo lança no mercado americano o Nintendo 3DS primeiro videogame portátil a produzir efeito tridimensional sem a necessidade de usar óculos especiais.

Parece magia, bruxaria nipônica, mas claro que não é nada disso: é a mais pura e refinada tecnologia e, sim, funciona. O efeito não é perfeito, mas em um primeiro contato surpreende e impressiona pela simplicidade e eficiência.

Contudo, a ilusão é apenas um dos muitos atrativos do Nintendo 3DS. Misturando a brincadeira dos jogos eletrônicos com uma filosofia de versatilidade típica dos telefones celulares (em especial os smartphones mais recentes), o videogame portátil tem tudo para ser companheiro constante de aventuras de fãs de games, sejam os mais aficionados, ávidos pela competição, ou um tipo mais casual, que busca diferentes experiências e formas de interação. Mas nem tudo é perfeito: a bateria do portátil dura pouco, há poucos títulos fortes neste primeiro momento e a rede online, ainda que promissora, ainda vai levar algum tempo para funcionar plenamente.

Para completar, infelizmente, não é agora que o Nintendo 3DS desfilará suas alegorias tridimensionais pelo Brasil: o aparelho chega dia 27 de março aos EUA pelo preço de US$ 250, mas no Brasil ainda não possui data e preço definidos ou mesmo estimados. O jeito é juntar as moedinhas, torcer para que chegue logo e aproveitar para testar o videogame em lojas – ou com aquele seu amigo que deu um jeitinho maroto de conseguir um.

A seguir, você acompanha análise e comentários sobre o efeito 3D do videogame, as outras funções do aparelho, seu design, problemas e também a linha inicial de títulos disponíveis.

Logo mais abaixo explico o quanto as outras características do Nintendo 3DS são bacanas, mas não tem como fugir daquela que dá nome ao aparelho: e esse 3D sem óculos, é bacana mesmo?

Sim, o efeito funciona da maneira que a Nintendo vende a ideia. Você olha para a tela de cima do portátil (só ela faz o efeito) e a impressão é de olhar para dentro uma caixinha, um diorama, uma pequena vitrine. A pequena tela widescreen de 3.53 polegadas ganha profundidade e objetos se colocam em planos diferentes, como se fossem cartelas. Ou seja, não há uma sensação contínua de profundidade, você não consegue ver a superfície esférica de uma bola, a extensão de ladeira ou a profundidade de uma avenida indo longe ao horizonte, mas é possível distinguir claramente pessoas em diferentes planos em uma festa, por exemplo.

Vale ressaltar, as condições para o efeito funcionar variam de pessoa para pessoa – por conta, claro, de características de formação e defeito do olho de cada um. De repente, você consegue ver o efeito olhando bem de perto para a tela, enquanto um amigo precisa olhar mais de longe. Nesse ponto a Nintendo acerta bem com a presença do botão para regular a intensidade do efeito 3D. Por exemplo, fotos em 3D, os jogos de Realidade Aumentada e “Steel Diver” eu consigo visualizar perfeitamente com o efeito no talo, mas “Pilotwings Resort” e “nintendogs + cats” só consigo ver com o 3D bem fraco.

Ok, o 3D funciona, mas será que ele cansa? Causa dor de cabeça? Deixa a pessoa meio vesguinha? Para efeito de comparação, a sensação é a mesma de ir ver um filme em 3D no cinema, com óculos especial. Em resumo, o esforço para ver gráficos em 3D é maior do que para visualizar em 2D, exigindo mais concentração. Então, 15 minutos de jogatina em 3D cansam mais do que 15 minutos jogando de forma convencional, mas a quantidade de cansaço e outros efeitos colaterais, novamente, variam de pessoa para pessoa. O ideal é fazer testes com diversas intensidades do efeito e achar uma configuração confortável.

Muito bem, agora que tiramos da frente a questão do efeito 3D do Nintendo 3DS podemos mergulhar a fundo e com calma nas outras funcionalidades do aparelho. Separadamente, são ideias simplórias ou que a Nintendo já usou em algum momento em outro aparelho, mas juntas aqui formam um conjunto prático e divertido, que tornam o 3DS um videogame perfeito para deixar ligado 24 horas por dias e levar para todo canto.

Logo de cara, um fato importante a destacar é que trata-se do primeiro console da Nintendo totalmente localizado para português do Brasil. Ao ligar pela primeira vez o videogame você já pode escolher o idioma (veja em nosso vídeo de unboxing do 3DS!) e aproveitar tudo em nosso idioma local, em uma adaptação tão bem feita que se dá até ao luxo de fazer brincadeiras e piadinhas.

Vamos lá, hora de buscar conhecimentos e enumerar cada uma das tais características tão legais do aparelho:

. Fotos em 3D: além de uma câmera interna, o 3DS possui duas câmeras externas que permitem tirar fotos com efeito tridimensional. O bacana é que ampla variedade de filtros e efeitos, possibilitando, por exemplo, fazer fotos em preto e branco, otimizar para ambientes pouco claros ou simplesmente jogar confete pela imagem.

Com prática, é possível tirar fotos bem criativas e divertidas! Pena que a resolução seja péssima (apenas 0.3 megapixel), mas considerando que só é possível visualizá-las propriamente no próprio aparelho, o prejuízo não é dos maiores.

. Miis: a exemplo do Wii, o novo portátil possui os simpáticos (quase bobocas) avatares da Nintendo. Você pode criar livremente ou até tirar uma foto da pessoa e deixar o videogame criar o bonequinho automaticamente – mas geralmente o resultado não é lá muito fiel à realidade. Depois, dá para usar os Miis em minigames na Praça Mii, em alguns games em cartucho, compartilhar com outros amigos via código de barra e por aí vai. Nada revolucionário – o Wii já faz muito disso desde 2006 – mas continua sendo divertido e engraçado colocar você mesmo, seus amigos e o Michael Jackson para participar dos jogos.

. Street Pass: uma das funções mais alardeadas pela Big N e esta aqui. Com o Street Pass ativado, basta passar perto de outro 3DS na mesma condição para que ambos troquem informações variadas – Miis, recordes em jogos e mais. Simples assim mesmo: é só passar perto que os videogames conversam entre si. No Japão provavelmente vai funcionar muito bem, nos bairros e metrôs abarrotados de gente jogando o portátil, mas aqui no Brasil deve rolar bem apenas em convenções e encontros de grupos de gamers.

. Base carregadora: um dos acessórios que acompanham o 3DS na caixa é este suporte. Funciona tal qual uma base de telefone sem fio: basta plugar a fonte de alimentação nele e encaixar o 3DS em cima para carregar a bateria dele por meio de um engenhoso sistema magnético. Prático e mais fácil do que ficar encaixando o pequeno plugue e procurando uma tomada livre na casa.

. Retrocompatibilidade: pode considerar comprar um Nintendo 3DS sem levar junto nenhum jogo para ele, já que toda sua coleção de cartuchinhos para as edições anteriores do aparelho funcionam perfeitamente aqui. Ao carregar uma fita, o 3DS aumenta a imagem do game para que ele ocupe toda a altura das duas telas do aparelho, mas isso acaba reduzindo a resolução da imagem, já que as novas telinhas possuem resolução maior do que as antigas, para as quais os títulos foram produzidos, passando uma sensação de “imagem borrada”.

Um truque: segure Start e Select simultaneamente logo após carregar o cartucho para reduzir as telas e rodar os jogos na resolução dos Nintendo DS antigos.

. Friend Code único: hasta la vista para o arcaico e chato sistema da Nintendo para jogar online com amigos. Agora, em vez de ter um número diferente para cada jogo do aparelho, o próprio 3DS possui um número único que serve para registrar amigos e jogar qualquer game. Funciona exatamente como os perfis da Xbox Live, PSN ou qualquer outra rede popular – mas a Nintendo demorou aí uns bons anos para fazer isso, né.

. Podômetro: lembra daquele “Personal Trainer Walking“, para DS, ou do Pokéwalker, de “Pokémon HeartGold & SoulSilver”? São aparelhinhos que contam quantos passos você dá por dia e transformar em dados para os games. Agora o próprio 3DS possui um desses embutido, registrando suas caminhadas ao longo do dia. O bacana é que esses passos são convertidos em moedas para utilizar em minigames, como os da Praça Mii, efetivamente transformando sua rotina diária em parte da brincadeira eletrônica. Temos que andar!

Em termos de design do aparelho, a impressão é de que a Nintendo assimilou críticas antigas, boas ideias da versão DSi e adaptou tudo ao belo desenho do DS Lite.

De fato, o Nintendo 3DS é apenas um pouco maior do que o Lite, apresentando uma parte superior mais robusta e elegante, com extremidades retas. Todos os botões antigos retornam – direcional, Start, Select, Power, A, B, X, Y, L e R – acompanhados agora do Home (para voltar ao menu principal do aparelho). Há agora também três ‘sliders’: um para definir o volume, similar ao do DS Lite, outro para ligar a função Wi-Fi e o da tela de cima, para regular a intensidade do efeito 3D.

Há também o tão pedido disco analógico, que lembra aquele já visto no PSP, mas com precisão e maciez similares aos da alavanca analógica do Wii. Combinação campeã que torna jogos de mecânica 3D, como “Pilotwings Resort”, muito mais agradáveis.

Os botões de ação são todos de clique – como no Nintendo DSi – enquanto Select, Home e Start são uma espécie de membrana de plástico (muito parecidas com teclas de máquinas de lavar, microondas e geladeiras) que não inspiram muita confiança para longo prazo, mas nos testes de poucos dias na redação não apresentaram problema algum.

Por fim, não seria um Nintendo DS sem uma caneta stylus, para manusear melhor a telinha de toque. No 3DS ela volta para a parte de trás do portátil, logo ao lado da entrada para cartuchos – o que deixou ela um pouco mais chata de pegar, em contraste com o DS Lite, por exemplo, que tem a stylus na lateral. Com acabamento metálico, a nova stylus é retrátil, podendo aumentar de tamanho.

A lista de títulos de lançamento do Nintendo 3DS nos EUA é extensa, mas de parte da Big N são poucas opções: em cartucho temos “Steel Diver”, “nintendogs + cats” e “Pilotwings Resort”, enquanto na memória do portátil já estão “AR Games” e “Face Raiders”.

Felizmente, estes dois últimos são os melhores da leva e ainda estão em português.

De resto, há opções da Ubisoft – como o mediano “Rayman 3D” e o competente “Asphalt 3D” -, o fraco “Ridge Racer 3D”, “Pro Evolution Soccer 2011 3D” da Konami e o robusto “Super Street Fighter IV 3D Edition”.

O game de luta da Capcom é facilmente uma das opções mais interessantes, não só pela grande quantidade de conteúdo (todos 25 lutadores e cenários das versões para Xbox 360 e PlayStation 3), mas também pelo efeito 3D competente e, principalmente, ser o único título dessa primeira leva com opção de partidas online, por meio da rede Nintendo WiFi Connection.

Até agora falei de tudo que o Nintendo 3DS possui de tão legal, mas nem tudo é divertido e bonito. Ou em 3D. Esta primeira encarnação do aparelho traz problemas que podem convencer alguns a esperarem um pouco mais para comprar.

O pior – e único sem solução – é a curta duração da bateria. Nos testes feitos na redação a bateria não foi muito além de 4 horas, isso utilizando o efeito 3D a maior parte do tempo. Rodar jogos antigos de Nintendo DS resulta em mais eficiência, mas, convenhamos, a tendência é usar mais os programas e cartuchos feitos para o próprio 3DS. Assim, a base carregadora acaba sendo importante, pois torna bem prático recarregar a bateria, basta encaixar o 3DS lá e esperar. Ainda assim, certamente é o aspecto que a Nintendo deve trabalhar com mais carinho nas próximas versões do aparelho – que não foram anunciadas, mas ninguém duvida que virão.

Seguindo adiante, a linha inicial de títulos é fraca, carente de grifes de peso da própria Big N, como um “Super Mario”, “Zelda”, “Donkey Kong” e até “Kid Icarus: Uprising”, justamente o game que a empresa usou para apresentar o 3DS na E3 2010, lembra? Para piorar, nenhum dos cartuchos lançados traz opção de português como idioma. A questão até é atenuada pela rica biblioteca do antigo DS e também as divertidas funcionalidades que o aparelho – de fato, os games mais bacanas de lançamento são os que já estão na memória.

Por fim, neste primeiro momento o videogame ainda não conta com a loja online disponível, o que impossibilita de baixar jogos de DSiWare, aplicativos ou títulos antigos de Game Boy. Aliás, já fica aqui outra crítica: porque apenas o Game Boy monocromático no início, e não também o Game Boy Advance ou mesmo os consoles de mesa, a exemplo do Nintendo, Super Nintendo, Mega Drive e outros? A Nintendo deve ter suas razões, mas para o jogador fica a sensação de preguiça e desleixo.

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