Role Playing Game – RPG

Depois da matéria sobre games de Luta, agora vou falar um pouco sobre meu segundo gênero favorito, os RPG’s.

Para quem não conhece, os games de RPG possuem um certo padrão, você tem um personagem principal, que faz aliados, no início ou decorrer do game, para cumprir uma determinada missão, que pode variar desde salvar alguém amado até evitar a destruição do mundo por algum vilão. No decorrer da missão, você enfrenta todo tipo de monstro, que normalmente são divididos de acordo com os elementos da natureza (água, fogo, ar, etc…) e deve derrotá-los usando magias, também baseadas nos mesmos elementos, ganhando experiência e evoluindo seu personagem ou grupo.

Abaixo uma rápida olhada nos melhores RPG’s disponíveis hoje para o Xbox 360:

Final Fantasy XIII

“Final Fantasy” é uma série de jogos eletrônicos criada pela Square e que ao lado de Dragon Quest, da então rival Enix, estabeleceu os pilares do que entendemos como RPG japonês. “Final Fantasy” surgiu no Famicom em 1987 e de lá para cá, a série ganhou treze episódios numerados, além de vários jogos paralelos, em quase todas as plataformas. Embora conserve elementos em comum, os jogos da franquia “Final Fantasy” têm como principal traço reinventar-se a cada episódio, formando novos padrões para o gênero que tão fortemente representa.

O enredo é bem construído e apresentado através de rápidas cenas de corte durante a jornada por Pulse, o que transmite a sensação de avanço constante e instiga o jogador a continuar. As horas voam entre as batalhas e as seqüências de narrativa e assim “Final Fantasy XIII” nunca se torna tedioso. Entre os capítulos, o jogador é presenteado com cenas maiores que aos poucos revelam mais sobre os eventos que antecedem a formação do grupo e seu destino interligado. A aventura é pontuada por uma trilha sonora impecável, com composições que completam o drama, a ação e até mesmo os momentos relaxantes e engraçados da história.

Visualmente, o jogo é deslumbrante, com cenários magníficos que convidam o jogador a parar de tempos em tempos e observar as paisagens construídas com esmero. As cenas pré-renderizadas estão entre as melhores já vistas em um jogo eletrônico, com animações faciais excelentes e sequências cinematográficas, marca registrada da Square-Enix.

Com “Final Fantasy XIII” a Square-Enix afirma sua supremacia no gênero do qual a série é representante máxima, o RPG oriental. Belas seqüências em computação gráfica, trilha sonora de alta qualidade e uma grande história para contar são os alicerces do jogo, ao lado de um sistema de combate rápido e interessante. O principal componente de “Final Fantasy XIII” é seu enredo e por isso, o jogo peca ao limitar a exploração do mundo e no traçado linear de suas fases, mas mesmo com suas falhas é uma aventura que deve ser jogada e apreciada.

Blue Dragon

A história narra as aventuras do garoto Shu, que vive num planeta onde uma antiga civilização foi extinta. Todo ano, uma criatura terrível traz destruição para a vila do rapaz. Junto com seus companheiros Jiro e Kluke, decidem enfrentar a fera, e acabam numa saga em que conseguem poderes de controlar seres míticos que se incorporam nas sombras. Trata-se de uma aventura juvenil que tão bem combina com o estilo de Toriyama.

O visual de “Blue Dragon” não chega a ser espetacular. Os cenários, por exemplo, pendem mais para o simples, apesar de parecer uma opção estilística, mais próxima de um desenho animado. Porém, quem dá show mesmo são os personagens, numa tradução perfeita do estilo inconfundível de Toriyama. As produtoras Artoon e Mistwalker optaram por um grafismo que lembra o de massas de modelar, decisão parece ser a ideal. As animações e as expressões faciais estão vivazes, como demanda uma aventura juvenil. As cenas de vídeo, que devem totalizar algumas horas, são fantásticas, principalmente quando vistas numa tela de alta resolução.

“Blue Dragon” prova que Sakaguchi é realmente um profissional de talento, que não fica apenas deitado nas glórias do passado. O game pode não virar uma lenda como suas obras mais famosas, mas se trata de um dos melhores RPGs japoneses lançados nos últimos anos. Não inova, mas superlativa o que já deu certo no gênero – traz conteúdo aos montes -, sem, no entanto, complicar demais. Além disso, traz um sistema de batalha inteligente, difícil de cair na mesmice.

Lost Odyssey

Todo bom RPG precisa de uma história forte e “Lost Odyssey” conta com uma que, se não empolga no início, pelo menos consegue prender a atenção à medida em que o elenco é apresentado.

Tudo gira em torno da figura de Kaim Argonar, tenente do exército da república de Uhra, que se encontra no campo de batalha contra as forças de uma nação inimiga chamada Khent. Durante o gigantesco confronto, o céu fica todo preto e uma imensa chuva de meteoros e lava cai impiedosamente sobre o vale onde se desenrola o conflito, matando todos os soldados. Todos exceto Kaim, que sai sem nenhum arranhão e sem nenhuma memória.

O desenho dos personagens é muito interessante e foge do lugar-comum dos heróis dos RPGs japoneses, muitas vezes povoado por gente andrógena de roupas espalhafatosas e atitudes incompreensíveis. As criaturas também são criativas e variadas, assim como os cenários, mesmo que alguns pareçam frios e sem vida, como se estivessem lá apenas para compor alguma cena. Definitivamente foi uma boa idéia contratar Takehiko Inoue, criador de mangás como “Slam Dunk” e “Vagabond”, para ajudar no design.

Já a performance deixa um pouco a desejar, mas não chega a ser determinante. “Lost Odyssey” sofre com alguns momentos de lentidão, queda na taxa de quadros de animação e loadings, que são curtos, mas freqüentes. Contudo, como se trata de um jogo lento, e não de um jogo de tiro de ação rápida, essas questões não chegam a incomodar.


“Lost Odyssey” é um RPG japonês à moda antiga, um artigo raro nos dias de hoje. Surge com uma apresentação luxuosa criada por grandes mestres no assunto, trazendo algumas boas inovações no sistema de batalha e uma história que, se não é bombástica pelo menos causa comoção e prende o interesse por muito tempo. É um produto sólido e bem acabado que deve fazer a alegria dos fãs, que contam com poucas opções nesta nova geração de consoles.

Tales of Vesperia

“Tales of Vesperia” é um episódio exclusivo para Xbox 360 da longa franquia de RPGs da Namco “Tales”, que vem desde os tempos do saudoso Super Famicom, a versão japonesa do Super NES. É também a primeira vez que um jogo da série aparece na geração atual, com gráficos em alta resolução, o que causou grande comoção em terras nipônicas, desencadeando até mesmo em um miraculoso aumento de vendas do console por lá e um breve desaparecimento das prateleiras.

Apesar de se tratar do décimo título principal da franquia, não é necessário conhecimento prévio para acompanhar a história, que é totalmente independente. Nela, somos apresentados ao império de Terca Lumireis, que utilizou como base para seu desenvolvimento uma antiga e rara tecnologia alienígena chamada blastia, empregada para muitos propósitos. O mais importante, aparentemente, é o de criar grandes campos de força ao redor das maiores cidades para protegê-las de ataques dos muitos monstros que habitam o planeta, o que acaba por também isolar a população a estes centros urbanos.

“Tales of Vesperia” é um típico RPG japonês tradicional, que não parece ter as mesmas ambições de produções maiores do gênero lançadas anteriormente para o console da Microsoft. A impressão que se tem é que o jogo foi criado para os fãs, aproveitando o poder da nova plataforma para dar uma apresentação mais moderna, mas mantendo todos os elementos clássicos da franquia. Marinheiros de primeira viagem também devem curtir, pois só precisam encarar o início lento para descobrir um jogo envolvente, com personagens carismáticos e um sistema de batalha diferente do habitual.

The Last Remnant

Mesmo que busque por alguma novidade, pelo menos no que diz respeito ao roteiro, “The Last Remnant” é bem tradicional. O herói da vez é o jovem Rush Sykes, que foi criado em uma ilha remota ao lado de sua irmã Irina, longe das guerras que assolam seu planeta, um lugar de grande variedade étnica e lar de uma antiga e esquecida civilização.

Pelo menos, logo nos instantes iniciais, conseguimos ver alguma inovação, mesmo no manjado sistema de combate por turnos. Em vez de lutar contra os vários monstros – que são visíveis no mapa e não gerados em combates aleatórios – utilizando somente estes personagens de destaque, há um esquema de subgrupos, chamados unions. Você pode ser auxiliado por até cinco unions formadas por cinco guerreiros cada, e dá ordens somente para os times e não para cada personagem individualmente. Com um esquema assim, as coisas definitivamente vão mais rápido e tentam dar proporções maiores até mesmo em duelos contra as criaturas mais insignificantes.

O gatilho dramático ocorre quando a garota é seqüestrada, sem mais nem menos, por bando de monstros controlados por uma figura sinistra. Rush, como qualquer outro jovem e inexperiente protagonista de RPGs, resolve ir atrás da irmã sozinho, descobrindo aos poucos os motivos por trás do rapto: um incrível poder latente que tanto ele quanto ela possuem. Também seguindo convenções clássicas do gênero, o mocinho vai encontrando coadjuvantes importantes ao longo de sua jornada, que se unem à sua causa.

“The Last Remnant” é uma tentativa de ocidentalizar um pouco o tradicional RPG japonês, mudando o perfil de alguns personagens e focando a ação em longas batalhas. Pena que o novo sistema de combates em turno, ainda que interessante, não seja bem explorado se tornando logo confuso e cansativo.

Eternal Sonata

“Eternal Sonata” é o primeiro jogo completamente desenvolvido pela Tri-Crescendo, que trabalhou em co-parceria com a Monolith Soft nos dois títulos da série “Baten Kaitos”, para Gamecube. Trata-se de um RPG que mistura a delicadeza e graciosidade dos Shojos (animes e mangás voltados ao público jovem feminino) com uma história de ficção incomum, baseada nos últimos momentos da vida do renomado compositor Frédéric Chopin.



O jogo se passa em um mundo onírico criado pelo próprio Chopin em seu leito de morte. O músico é um personagem jogável, que viaja por este universo alegre, colorido e cheio de vida, em contraste à sua condição de tuberculoso em estado terminal. Nele Chopin descobre que pessoas com doenças mortais são milagrosamente capazes de utilizar magia, mas que são renegadas pela sociedade devido ao medo de contágio.

“Eternal Sonata” é aquele típico jogo que pode ser amado por uns e odiado por outros. O capricho dos desenvolvedores com seu estilo gráfico é evidente: o jogo transborda uma beleza e delicadeza únicas, além de momentos tocantes e um clima bucólico agradabilíssimo. No entanto, sua mecânica é simples demais e não foge aos padrões dos RPGs mais tradicionais, sem falar da repetição, linearidade e do baixíssimo nível de dificuldade.

Magna Carta 2

Em “Magna Carta 2”, o reino de Lanzhein passa por dias conturbados. O Primeiro Ministro Schuenzeit organizou uma rebelião, eliminou a Rainha Ibrin e usurpou o trono. A Princesa Rzephillda, uma jovem de 15 anos, aliou-se ao influente Conde Alex para lutar contra o vilão Schuenzeit. A disputa entre as forças do Norte, lideradas pelo Ministro e o exército do Sul, comandados por Alex, foi chamada de “Guerra Civil de Lanzhein”.

É nesse cenário atribulado que o jogador assume o papel de Juto, um jovem que perdeu suas memórias e é incapaz de usar uma arma de metal, defendendo-se apenas com uma espada de madeira. Juto é dotado de poderes que nem ele conhece e que são revelados no decorrer da aventura. Por razões pessoais, Juto se une aos rebeldes e torna-se membro do grupo liderado por Zephie, a princesa foragida e outros personagens típicos do gênero como guerreiros grandalhões, magos e curandeiros.

Os gráficos de “Magna Carta 2” são bem trabalhados, com cenários bonitos, belas cidades e criaturas exóticas. Os modelos lembram o jogo “The Last Remnant”, com o qual “Magna Carta 2” compartilha o motor gráfico Unreal Engine. A dublagem é muito boa, o que facilita acompanhar as extensas conversas que antecedem as principais missões.

“Magna Carta 2” segue com afinco a cartilha dos J-RPGs contemporâneos, experimentando um pouco com o sistema de combate mas preservando características aprovadas pelos fãs do gênero, como a necessidade de ganhar níveis de experiência para avançar pelo jogo, os típicos heróis adolescentes e a trama sem grandes surpresas. Suas cinqüenta horas de duração são diversão garantida para os fãs de RPGs orientais.

Por mais irônico que pareça, o Xbox 360 é um console Americano, porém dentre as opções hoje disponíveis no mercado, ele é o que possui o maior número de J-RPG’s (RPG’s Japoneses).

@gmunizlive

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