E3 2010

A E3 2010, maior feira de games do mundo, termina nesta quinta-feira (17) em Los Angeles depois de três dias. Os maiores destaques do evento foram os novos gadgets com sensores de movimento da Microsoft (Kinect) e da Sony (Move), as sequências de jogos consagrados como “Twisted Metal” e “Donkey Kong”, e, principalmente, a entrada definitiva da tecnologia 3D no mercado dos jogos. 

Abaixo um resumo do que cada uma trouxe de melhor:

Microsoft

Tendência que se viu na E3 do ano passado, a Microsoft acenou para um público variado em sua conferência de imprensa na E3, proferida nesta segunda-feira (14). Para os brasileiros, foi finalmente confirmada a notícia de que a Xbox Live, serviço que a Microsoft sempre pregou como essencial, será lançada oficialmente no país, junto com o Kinect, periférico antes conhecido como Project Natal.

Don Mattrick, vice-presidente sênior de entretenimento interativo da Microsoft, anunciou durante o evento que a Xbox Live e o Kinect estarão disponíveis em “todos os países em que o Xbox 360 é comercializado”. Logo depois, a filial brasileira confirmou que a Live vem ao país até o final do ano. Mais informações devem aparecer no evento específico da Microsoft para a América Latina.

Para quem aguardava o Kinect com ansiedade, a companhia finalmente revelou a data de lançamento do periférico que permite jogar e comandar o Xbox 360 sem controle: basta apenas gestos e comandos de voz. Em 4 de novembro, os americanos terão a chance de entrar na era do controle de gestos, por supostos US$ 149, de acordo com a loja GameStop. No Brasil, vem até o final do ano.

Apesar de uma première ter sido realizada no domingo para o Kinect, boa parte da conferência foi dedicada ao periférico, que a Microsoft considera essencial para alcançar novos públicos – ou, em outras palavras, a cobiçada audiência da Nintendo com seu Wii.

E para isso não teve pudores em usar a mesma estratégia da concorrente japonesa: é impossível não se lembrar de “Nintendogs” ao ver “Kinectimals”, e “Kinect Sports” é uma coletânea de minigames esportivos, assim como “Wii Sports”.

Há títulos que expandem o conceito, mas a linha de games é muito parecida com a do Wii, cheia de títulos de ginástica e de dança, além de coletâneas de minijogos. Os poucos títulos voltados para o público tradicional da Microsoft foram uma versão de “Forza Motorsport” e um novo “Star Wars”.

São títulos que não devem fazer a festa dessa audiência “hardcore”. Eles ficaram mais eufóricos em saber que “Halo: Reach” vem em 14 de setembro e que “Fable III” sai em 26 de outubro.

Para esses jogadores, a Microsoft ainda preparou o primeiro trailer com imagens de jogo de “Metal Gear Solid: Rising” e mostrou um título exclusivo da Crytek (de “Crysis”), chamado “Codename Kingdom”, que parece ser um game de ação e combate.

No fim, a companhia de Bill Gates confirmou uma nova versão do Xbox 360, mais compacto, que vai às lojas dos Estados Unidos nesta segunda e chega aos consumidores ainda esta semana (todos os participantes da conferência receberam o videogame em primeira mão). Esse novo modelo do console ainda não tem data para chegar ao Brasil.

Depois do evento, a Microsoft afirmou que os modelos Arcade e Elite do Xbox 360 ficarão US$ 50 mais baratos nos Estados Unidos. Com essas medidas, a empresa quer aumentar o ritmo de vendas do videogame, que vinha caindo nos últimos meses.

Nintendo

Se por um lado a Microsoft tentou expandir sua audiência com o Kinect e seus games casuais, a Nintendo veio para esta E3 para recuperar um terreno perdido ao dar satisfação para um público que sempre a apoiou, mas se sentia deixada de lado nos últimos anos. E a companhia não poderia ter iniciado sua conferência nesta E3 de melhor maneira.

Logo na abertura foi mostrado o novo “The Legend of Zelda” para Wii, que empolgou a plateia com sua nova direção artística, um meio termo entre o realismo quase sombrio de “Twilight Princess” e o cartum ensolarado de “Wind Waker”.

O criador da série, Shigeru Miyamoto, teve direito a uma entrada triunfal: do telão, ele se “materializou” no palco do Nokia Theater, para mostrar detalhes do controle de “Skyward Sword”, que usa o Wii MotionPlus, periférico que melhora a precisão e o tempo de resposta do Wii Remote.

Miyamoto mostrou – ou tentou, já que o controle não estava respondendo corretamente – que o jeito de atacar com a espada é essencial para dar cabo dos inimigos, já que ofensivas aleatórias apenas param nas defesas. Tudo é comandado com gestos: o Wii Remote controla espada e os itens e o Nunchuk, o escudo. A má notícia veio no final: tudo isso foi adiado para 2011.

Os jogadores “hardcore” ou saudosistas ainda viram a Nintendo revisitar alguns de seus maiores clássicos, como “007: GoldenEye” e a série “Donkey Kong Country” – ambos terão uma versão para Wii.

“Epic Mickey”, da Disney, também é um título promissor, e um novo game de “Kirby” está no forno.

A audiência casual teve menos novidades, mas, diz Reggie Fils-Aime, presidente da Nintendo para os EUA, “Wii Party” tem potencial para virar um novo “Mario Kart” ou “New Mario Bros.”, sucessos que juntos já venderam 38 milhões de cópias.

Além da coletânea de minigames foi anunciado “Just Dance 2”, continuação de um game de dança da Ubisoft, e “Mario Sports Mix”, que traz diversos esportes com a turma de Mario.

Porém, a maior novidade da Nintendo veio no final, quando o 3DS foi mostrado ao vivo e em cores. Já não era mais um conceito, mas a coisa funcionando: imagens em 3D “real”, com sensação de profundidade, sem precisar usar óculos especiais – algo que Reggie reiterou e até ironizou (por certo, sabia que a conferência da Sony, realizada algumas horas depois, teria demonstrações de games em 3D, em que todos os participantes precisaram usar visores para sentir o efeito de profundidade).

A cena foi impressionante: ao término da conferência, um “exército” de booth babes, cada uma com um 3DS para os presentes testarem, surgiu das coxias e tomou os corredores do teatro.

A Nintendo dedicou a maior parte de seu tempo na apresentação de seu novo portátil. Coube a Satoru Iwata, presidente da companhia, revelar a cara do 3DS ao mundo. Depois de detalhar os promissores recursos do aparelho, mostrou um de seus principais games. Mais uma vez, a Nintendo resgatou o passado, trazendo Kid Icarus à ativa. O trailer deixou claro que as especulações de que o portátil teria gráficos de um Xbox 360 ou PlayStation 3 eram exageradas, mas certamente o game é tão bonito quanto os melhores títulos para Wii. A lista de jogos revelada depois da conferência é igualmente impressionante, com grandes nomes que incluem “Starfox 64”, “Street Fighter IV”, “Resident Evil Revelations” e “Metal Gear Solid: Snake Eater”.

Enfim, foi uma apresentação segura, com apostas certas, que em nada lembrou os equívocos e deslizes da Nintendo em E3 recentes. Por certo, ninguém sentiu falta de Cammie Dunaway ou do Wii Vitality Sensor.

Sony

A Sony Computer Entertainment realizou sua conferência na E3 sendo pressionada tanto pela Microsoft, que mostrou mais de seu Kinect, como pela Nintendo, que havia arrasado horas antes com a apresentação do 3DS, portátil que exibe gráficos em 3D. Comparada à concorrentes, a gigante dos eletrônicos pecou em ritmo, e suas novidades pareceram menos surpreendentes que as das rivais. A Sony focou em dois temas, ambas que dizem respeito ao PlayStation 3: jogos em 3D estereoscópico e controle de gestos.

De cara, confirmou “Killzone 3”, que, como se especulava, terá imagens em 3D. A demonstração do game já tinha esse efeito, que era ativado ao usar óculos especiais. Vale lembrar que, para ter isso em casa é necessária a compra de TVs que possuam essa tecnologia – e os primeiros modelos com 3D não estão nada em conta. Foi prometida uma lista promissora de games em 3D, incluindo “Motorstorm: Apocalipse”, o novo “Mortal Kombat”, “Crysis 2” e “Gran Turismo 5”, mas apenas 20 títulos compatíveis com a tecnologia estão previstos até o final de 2011.

Aliás, uma longa espera chega ao fim: “Gran Turismo 5”, que aparece em sua quinta E3 (levando em conta que em 2006 foi apresentado como “Vision Gran Turismo”), finalmente ganhou uma data de lançamento definitiva (vem em 2 de novembro).

No campo dos controles de gestos, a Sony parece ter tomado a dianteira: o seu PlayStation Move foi anunciado para 15 de setembro. O pacote “starter”, com o jogo “Sports Champion”, sai por US$ 99,99. Já o Kinect, do Xbox 360, sai em 4 de novembro e pode custar US$ 150 (a loja GameStop soprou esse valor). O problema está nos jogos feitos especialmente para o Move: nem “Sorcery” nem “Heroes of the Move” empolgaram. Por enquanto, as melhores apostas para o controle parecem ser os já lançados “Resident Evil: Gold Edition” e “Heavy Rain”, que terão atualizações para funcionar com o Move.

O melhor da conferência não foi nenhum jogo ou hardware, mas a apresentação fugaz de Kevin Butler, o cômico e carismático personagem que atua como garoto-propaganda em peças publicitárias da Sony. Com uma tirada atrás da outra – “o Move tem um recurso avançado chamado botão”, alfinetou, num claro recado ao Kinect da Microsoft – roubou a cena. Agora, Butler também dará uma força para o desanimado PSP, numa nova campanha que está sendo preparada nos Estados Unidos.

É incrível como a Sony acertou com esse personagem, ainda mais depois de anos colecionando polêmicas com propagandas equivocadas. Além de Butler, “Metal Gear Solid: Peace Walker” e “God of War: Ghost of Sparta” são algumas das armas para levantar a moral do portátil.

A conferência serviu para confirmar títulos como “InFamous 2” e um novo “Twisted Metal”, que é uma das franquias mais antigas da plataforma PlayStation. Também foi um momento de mostrar que fez a cabeça de Gabe Newell (da produtora Valve), que já disse ser uma “perda de tempo” desenvolver jogos para PlayStation 3. Com isso, a Sony amealhou “Portal 2” – e num esquema melhor que o do primeiro “Portal”, que foi adaptado pela Electronic Arts.

Se jogo exclusivo está difícil de negociar, agora, a batalha é por conteúdos adicionais e edições especiais fechados para apenas uma plataforma. A Sony conseguir parcerias dessa natureza em títulos como “Mafia II”, “Assassin’s Creed: Brotherhood”, “Dead Space 2” e “Medal of Honor”.

No meio disso tudo, foi anunciado, até meio envergonhado por Jack Tretton, presidente-executivo da Sony Computer Entertainment para os Estados Unidos, uma modalidade paga da rede online da PSN, chamada PlayStation Plus. Por US$ 49,99 ao ano o assinante pode baixar games específicos gratuitamente e ter acesso antecipado a demos e testes de jogos. Resta saber se os usuários enxergarão valor nessa assinatura.

@guiflexx

Este slideshow necessita de JavaScript.

Sobre Guiflexx

Twitter.com/guiflexx
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para E3 2010

  1. @ameba_land disse:

    Ansioso pelo lançamento do novo Crysis, é o melhor!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s